4AD é um nome incontornável quando se fala de música alternativa e de editoras independentes dos anos 80. Fundada por Ivo Watts-Russell e Peter Kent, em 1979, no seio da
Beggars Banquet, a 4AD rapidamente se destacaria. A personalidade forte e o bom gosto e vanguardismo de
Ivo Watts Russel aliado à capacidade artística de
Vaughan Oliver, que Russel convidou para responsável pelo grafismo das capas das edições da 4AD, rapidamente fariam 'estragos' que deixaram marcas inconfundíveis na história da música.
Durante a década de 80, projectos como os
Dead Can Dance,
Cocteau Twins,
Clan of Xymox ou
This Mortal Coil, contribuiram para que a editora criasse uma identidade própria, cujas influências ainda hoje perduram seja no chamado
shoegaze ou até na
ambient music.
No final da década de 80, e como que antecipando o fenómeno
grunge e o renascimento da atitude punk e da sonoridade rock mais crua e directa, a 4AD assegurou a edição de um contingente de bandas norte-americanas, cujo expoente máximo foram os
Pixies, mas do qual faziam parte
Throwing Muses ou
Breeders.
Entretanto Russel abandona o projecto e a 4AD volta a casa mãe, a Beggars, onde ainda hoje continua a funcionar, lado a lado com outros selos como a
Matador (que acabou de assinar com os Sonic Youth),
Rough Trade (responsável pelas edições dos Strokes) ou
XL (editou em formato físico o último álbum dos Radiohead "In Rainbows"). Mesmo sem o seu mentor, a 4AD continuou a sua política de aposta em projectos que esteticamente se situam nas margens da produção musical e cuja qualidade é unanimemente reconhecida quer pela crítica, quer pela generalidade dos melómanos.
Nomes como Beirut, Stereolab, TV on the Radio, Lisa Germano, Gus Gus, Lydia Lunch, The Birthday Party (o projecto de Nick Cave que antecedeu os Bad Seeds), Red House Painters, Thievery Corporation, The The ou Mojave 3 foram ou são apenas alguns dos projectos que já conheceram este selo nas suas edições.
Para ilustrar este artigo, e de forma a representar, temporalmente, as diversas fases da 4AD escolhi videoclips de Cocteau Twins, Throwing Muses e Mojave 3. Ainda assim seriam necessários muito mais que 3 videoclips para dar conta da relevância desta editora na história da música contemporânea, pelo que opresente serve apenas como aperitivo a quem tenha apetite para explorar o enorme filão.