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quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Agenda: Peter Murphy
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domingo, 30 de novembro de 2008
Concertos #01: Andrew Bird @ Teatro Académico Gil Vicente, Coimbra [30|05|07]
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sexta-feira, 25 de maio de 2007
Murcof no TAGV, em Coimbra - 24 de Maio
Este será um espaço onde, maioritariamente, a prosa será da minha responsabilidade, como tal nada pior para iniciar uma iniciativa destas do que fazê-lo com palavras de outro.
Acontece que andava aqui às voltas com as palavras em tentativas sempre frustradas de conseguir reproduzir o que os meus olhos viram e, sobretudo, os meus ouvidos ouviram, ontem à noite no Teatro Académico de Gil Vicente e resolvi investigar se outros antes o teriam conseguido. E não é que conseguiram de forma magnífica... quase tão magnífica quanto a intervenção de Murcof ontem no Gil Vicente! Aqui fica a transcrição de um texto da autoria do jornalista do Público Vitor Balenciano, editado no suplemento Y:
"Há sombras, fendas de cinzento, minúsculas gretas, vagas de escuro sucedendo-se umas às outras. Pode ser um quarto, mas não há luz; uma paisagem a perder de vista, mas sem claridade; uma cidade adormecida, mas irremediavelmente de olhos vendados. E no entanto esta música move-se, tacteia, cambaleia pelas artérias sombrias que escolheu transitar. Esta é a música do mexicano Fernando Corona (…) nome artístico, Murcof.
Daqui não há fugas. Há sons de piano ao longe, reverberações, orquestrações paradas no tempo, à volta das quais pairam teias de aranha e há um crime misterioso que ninguém quer resolver. A música é instrumental: podia ser a banda sonora de um policial negro. Mas é majestosa demais para o ser. De vez em quando um sino recorda-nos que há um sentido de urgência que é concreto, palpável, mas à volta há memórias, abstracção, corpos digitais em miniatura pedindo auxílio.
À primeira parece claustrofóbico. Ouve-se duas e três vezes e há fissuras que auguram luz. À quarta, um esboço de claridade. À quinta ofusca. Descobre-se matéria ambiental vogando pelo espaço, cruzando-se com sinfonia em miniatura. Agora parece haver um maior dinamismo rítmico, mais rumores ao longe e mais ao longe ainda uma harpa.
Não há passado, nem presente, nem futuro. Esta música respira em suspensão. Há apenas vestígios, indícios, tonalidades, texturas que vão e vêm sem deixarem rasto. Corona deu-lhes nomes como “Recuerdos”, Reflexo”, “Rostro”, “Rios” e “Caminos”."
site: http://www.murcof.com
myspace: http://www.myspace.com/murcof
wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Murcof
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João Nunes
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