sábado, 10 de maio de 2008

Universal Techno

Aqui há tempos numa das habituais voltas pela blogosfera musical nacional descobri este documentário (Universal Techno) através do blog As Palavras E As Coisas. Fica o texto e o respectivo documentário:

Por recomendação do blog português Remixtures acabei de assistir ao documentário (que eu não conhecia) Universal Techno. Dirigido pelo francês Dominique Deluze e produzido para a BBC inglesa, o filme mostra uma estória de apropriações: dos pioneiros de Detroit (Juan Atkins, Derrick May e Kevin Saunderson) à explosão alemã como estilo de vida e cultura (com cenas da famosa Love Parade de Berlim, entrevistas com Sven Vath e outros) até à Inglaterra (Aphex Twin, LFO, Underworld).

Mas, para muito além da história do nascimento de um gênero musical, o que vemos nesse documentário é o impacto que a cultura homem-máquina e a própria tecnologia - que é inclusive o prefixo que virou nome do gênero - teve sobre um determinado contexto, dando sentido a uma cultura original, nascida no final do século XX (e em suas ligações com os pioneiros do krautrock como Tangerine Dream e Kraftwerk), além do espírito de uma época de industrialização, frieza e decadência em cidades pós-industriais como Detroit, Berlim pós queda do muro e Sheffield (UK), por exemplo. Compreender o nascimento do techno é ver um dos locus formativos da cibercultura ao vivo. Por ter sido produzido há 12 anos podemos agora olhar para trás com um certo distanciamento, uma vez que todo aquele panorama ali apresentado mudou de uma forma aceleradíssima, compreender um pouco das teias culturais do final de século passado e da emergência da eletrônica no cenário mundial quando o futuro era o agora.

Apesar de uma possível nostalgia para quem vivenciou pelo menos em parte aquela cultura (o imaginário idealista e até ingênuo do PLUR - Peace Love Unity and Respect - ainda atravessa os discursos de vários artistas ali entrevistados), o filme serve como um artefato arqueológico que nos dá pistas sobre o momento atual das redes de trocas, distribuição de música, conectividade, gosto "universal"/local, etc. O filme é falado em inglês e alemão com legendas em francês, pelo menos nessa versão que compartilho com vocês. Dei uma olhada no Google Video e no YouTube mas achei apenas pedaços.


Parte 1



Parte 2


1 comentário:

JON disse...

Muito bom.

Thanks mate!